08 Maio 2006

Breve comentário ao TCC do Everton

Fala galera!

Como é a primeira vez que escrevo aqui eu quero, antes de tudo, reafirmar minha admiração pelo criador desse blog. Conheço esse cara desde o colégio, onde nos formamos juntos, e hoje já posso dizer que ele é um vencedor. Possuidor de um PUTA conhecimento, é uma pessoa com excelentes valores a transmitir. Trocar idéias com esse cara, além de ser um prazer pela sua amizade, é sempre poder acrescentar algo a si próprio como ser humano, do qual é grande exemplo. Quem o conhece de verdade com certeza compartilha essa opinião.
Vou ter aqui a honra de expor uma breve opinião sobre seu tema de TCC, “como o desenvolvimento cognitivo de uma criança é afetado pelos relacionamentos familiares pós-modernos”, embora o farei apenas sob a perspectiva da sociedade brasileira. Meu amigo, parabéns pelo tema! Extremamente importante, essencial! Quando terminar, por favor me envie uma cópia.


Realmente parece que o consumo está corrompendo todas as instituições da nossa sociedade, e na família a porrada é em cheio, praticamente um nocaute! Nossa Constituição diz, em seu Artigo 227: "É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão".

Bonito, não? O grande problema é que quando o dever é de todos, conseqüentemente não será de ninguém. Se a família deve, a sociedade deve e o Estado também deve, quem cobrará de quem? Com que legitimidade? Todos de todos? E é bem o que acontece. Aí vira essa grande batata-quente que é o Brasil, naquela idéia de garantir o próprio pão e para o resto que procurem o culpado.
É nítido em nossa sociedade que ninguém procura viver a vida dentro de casa. Todos ficam fascinados com a vida lá fora e é lá que tentarão satisfazer todas suas ambições, quando a verdadeira felicidade estaria dentro do próprio lar. A situação exemplo é a do dito pai de família de classe média/média alta/alta, ou como quiserem chamar, que sabe tudo o que tá acontecendo na China e não faz idéia das pessoas com quem a própria filha está se envolvendo e tendo como referência de vida. Mas se isenta da culpa e poderá se legitimar perante a "família, a sociedade e o Estado", uma vez que "dá à ela tudo que ela precisa", ou seja, dinheiro, roupas, tv no quarto recém-modificado de acordo com os novos lançamentos em decoração, bichos de pelúcia, perfumes importados, dentre outros artefatos "extremamente necessários" para a vida. Ou seja, quando os valores sociais estão negativamente baseados, a instituição familiar é a primeira a sofrer as conseqüências, e dela resultarão apenas servidores de um novo sistema no qual ninguém sabe porque existe, qual seu sentido e o que fazer diante dele/sobre ele.

A visão de mundo das crianças que nascem e crescem nessa ruína com certeza será baseada em tudo, menos na vida familiar e nos valores positivos que dela deveriam surgir. Viver e aprender lá fora pode ser necessário, mas não há sucesso no mundo que compense a falta familiar.

Grande abraço, e estarei esperando a cópia do seu TCC, Everton.
Bêlo

09 Abril 2006

Da diferença

A prepotência é uma merda. A fuga da realidade que ela proporciona é revoltante. E não é sobre isso que a gente escreve aqui.

Aqui a gente se esforça em tentar entender os medos e as travas que fazem as pessoas parar no meio de algumas ações. Bêlo e Evertones pegaram o fio da meada e tentam espalhá-la, senão aos quatro cantos do mundo, àqueles que aceitarem o desafio.

Hoje estávamos falando, entre outras coisas, sobre a diferença. Sobre como é difícil aceitar a própria totalidade em detrimento de outra pessoa. Sobre como é quase impossível acreditar na totalidade da essência alheia. QUASE.

A diferença é o fundamento do crescimento. A comparação entre dois aspectos distintos é uma das únicas coisas que nos motivam a querer melhorar. Senão, o que haveria para ser mudado?

Ok, compliquei um pouco, vou melhorar.

A diferença entre duas situações ou duas pessoas existe para que a gente desça alguns degraus dos nossos interesses e consiga amarrá-los aos dela. A plenitude da satisfação está na entrega ao absoluto, mas a prepotência escapa a esta regra, por não ser ela uma fonte confiável de entrega. A verdade individual é temporária, daí a necessidade de se comparar, de melhorar, e principalmente, de manter a integridade.

Frase da Ídola: o que importa são os valores, não os gostos.

Rojão que caiu na cabeça do Bêlo tão forte quanto na minha. Gostos mantêm as diferenças, enquanto os valores aproximam as semelhanças. A dificuldade em enfrentar as barreiras impostas pelo gosto dificultam que a gente enxergue os valores que aquela pessoa traz consigo. A maioria de nós continua a ficar em uma piscina extremamente rasa, com medo de arriscar um mergulho. A comodidade de ficar fora d'água é uma opção, assim como a de mergulhar. Cada uma traz um peso e uma responsabilidade infinitas.

E aí está o motivo do post. O de ser humilde a ponto de reconhecer a diferença, sóbrio a ponto de respeitá-la e honesto o suficiente para concordar com ela ou não. Mergulhar foi uma opção que nós dois fizemos (e fazemos) com muito gosto, mas não temos o direito de exigir que os outros sigam o que a gente fez. O peso que isso acarreta é uma merda duma insignificância pessoal que a gente tem que se acostumar. O peso que a gente carregaria se não fizesse essa escolha seria o de uma mediocridade com a qual não conseguiríamos conviver, certamente.

Entretanto, concordar com a diferença não significa partilhar dela. O papel de abridor de olhos pode ser mal interpretado se não for assistido de perto. Concordar com uma diferença ou com uma peculiaridade, com ter um coração frágil (que não o meu) na mão foi (ou é) um desafio imenso que eu aceitei durante um tempo. Partilhar do sentimento de incapacidade que aquela pessoa persistia em alimentar era impossível, tornou-se a "semeadora da discórdia". Para essas escolhas houve um preço já pago e um a pagar. Navegar com os olhos abertos por mares navegados de vez em quando sem ter medo e sabendo que nem sempre o que se encontra é aquilo que se procurava é uma prova de humildade. Partilhar com a sua totalidade não é recomendável, mas agir com a sabedoria necessária para reconhecer na sutileza de algumas incompatibilidades a chance de melhorar um pouco é fundamental.

Pode ser que quem chegue até aqui e não tenha entendido nada tenha que recomeçar a ler o post. Talvez tenha que fazer isso até entender. Talvez tenha que tomar uma cerveja com a gente... esse tá vago, eu reconheço, mas quem me conhece leu tudo muito claramente nas entrelinhas. Abraço.

27 Março 2006

E a vida continua...

E a vida continua, esse é um dito que todo mundo proclama
O consolo dos aflitos e a desilusão de quem ama

São Paulinho da Viola
Amém! É triste saber que tem gente que não conhece isso. Não, não é o Paulinho da Viola, tudo bem, esse eu até perdôo, mas não conseguir olhar para a frente é uma limitação que o ser humano insiste em estabelecer como inerente.

Nessas horas, o Sartre é foda. Em todas as outras também. "O inferno são os outros". Não somos seres sociáveis, aprendemos a ser. Acontece que esse vício em ser social acaba por nos podar de ser aquilo que queremos, faz com que a nossa pequenez se torne latente, deixa as coisas predominantemente mórbidas e vagarosas.

O mestre cantor desse samba sabe muito bem como é que a vida rola. Sabe que por mais que o Coração Leviano chore, amanhã ou depois ele vai arrancar em outra investida. Sabe que por mais que os seus Nervos de Aço enferrujem de vez em quando, ele não desiste. Segue em frente, não pára!

Àqueles que param, só resta a mediocridade. Mesmo o caboclo mais simples do mundo (como o que eu encontrei em Araçatuba um dia, voltando de um congresso) sabe que a diferença entre ser medíocre e ser modesto é gigante. Ao modesto, só é preciso enxergar o limite da insensatez alheia; ao medíocre, cabe passar pela vida toda e ver que por todos os seus descaminhos é que ela vale cada minuto.

18 Fevereiro 2006

Enxergar o limite

Porque todo mundo tem que ser herói? Porque a necessidade de ser o melhor do mundo?

A incrível busca pela notoriedade faz do homem um viciado pela satisfação social, mesmo que isso custe sua anulação pessoal.

Já dei passos para trás e fui subjugado. Dei dois saltos para frente logo depois e só fui reconhecido por eles, como se a minha quase covardia não fizesse parte da manobra que estava executando.

Ser herói não traz satisfação pessoal, só angústia. Matar um leão por dia não é nada sem que haja um objetivo para tal. Ninguém se lembra do herói por muito tempo, assim como ele, outros haverão de dar passos para frente. Talvez a maioria de nós.

Dar passos para trás não significa fracassar, significa planejar, significa ser prudente. Ontem eu fiz uma entrevista para ser estagiário da Basf. Na série de exercícios que me propuseram, fizeram a pergunta “você agiria proativamente em tal situação?” e eu respondi negativamente, já que a proatividade naquele caso poderia causar pânico. A situação era a de um suposto incêndio na fábrica que teria provocado o vazamento de produtos químicos para as imediações. Eu precisaria fazer um plano de contingência para comunicar a imprensa, a comunidade local e a autoridade local.

Comunicar a todos os interessados é estritamente importante, mas a maneira de fazer com que a informação chegue ao lugar certo e de fazer com que ela seja decodificada da maneira certa também é. Talvez a última seja mais do que a primeira.

Ainda confundem o meu lance de me entregar às coisas. Como eu sempre digo, é mais fácil do que parece. Se eu me entregasse a uma situação de emergência como essa, provocaria mais pânico do que ela já deve ter gerado. Medir as palavras não é igual a medir as ações. Ações, planos e métodos podem ser igualmente aplicados com palavras diferentes, mas como a mesma intensidade e vontade de fazer o melhor.

Não peguei o trampo (uma infelicidade, já que tenho todas as características da vaga), mas peguei uma coisa no ar e só isso já valeu a pena.

A ainda tendência

Não é uma guinada, é uma quebra silenciosa. A eleição de Evo Morales e da Michelle Bachelet é uma mudança muito importante nos rumos políticos da América Latina. Ao mesmo tempo, é tão sutil quanto o namoro por debaixo dos cobertores de um casal. Por fora, nada de mais, mas só quem está lá dentro sabe o que os dois querem e como querem.

Agora a América do Sul conta com cinco chefes de Estado de peso que são “socialistas”, por assim dizer. São eles:

Argentina: Kirchner (isso não é piada, rs)
Brasil: Lula (na embalagem)
Bolívia: Morales (vamos pagar para ver)
Chile: Michelle Bachelet (a mais “social-democrata” da lista, hehehe, nem entra muito na lista... mas entre ela e o Kiki, eu a abraçaria sem titubear)
Venezuela: Chavez (Mr. "leva no peito")

Marx quis empurrar uma coisa goela abaixo no século XX e não deu certo. Se ao invés de ter almejado uma ruptura repentina e barulhenta, como todas as que aconteceram a partir de 1917, os socialistas e comunistas e marxistas e blábláblá tivessem provocado a real insurgência popular, tornariam os territórios inadministráveis por forças que não as suas.

Chavez deu a receita pronta para Lula. Foi legitimamente eleito, sofreu duas tentativas efetivas de golpe (patéticas, além das outras menores e menos comentadas) patrocinadas pelos EUA e agora ainda conseguiu maioria mais-do-que absoluta no Congresso Nacional, ou seja, só sai de lá morto. O Lula pegou a cartilha do “côpanhêro”, leu, mas cagou e sentou em cima ao tentar tomar conta das Estatais sem pedir pra ninguém. Burro, devia ter lido Weber.

Aliás, esse aí mesmo disse que a política é a arte de dividir o poder. Não foi com essas palavras, mas foi isso que ele quis dizer. Em uma sociedade democrática, e por isso mesmo, heterogênea, é preciso agradar muita gente além de si próprio.

O Chavez faz um pouco disso. Vende petróleo pros EUA como água. Enquanto isso, junta respaldo popular com programas como a Missão Robinson I e Robinson II, que pretendia erradicar o analfabetismo do país. Li no Pravda uma matéria do Tariq Ali que diz: “Chavez depositou sua confiança nas pessoas, dando poder a elas, que responderam de modo generoso”. Essa sinergia não está nem no caminho da Ditadura do Proletariado de Marx, nem na democracia do velho mundo, está hegelianamente no meio. Ou não.

Chavez não precisa da Ditadura por enquanto, já que consegue enfileirar vitórias sem o poder totalitário. Isso por enquanto, já que medidas autoritárias estão sendo tomadas também pelas vias democráticas. Para garantir sua permanência à frente da Venezuela, Chavez sufoca a oposição, taxando-a de tudo o que é possível. Acontece que é essa mesma oposição, mais precisamente aquela parte chamada EUA, que garante os petrodólares bolivarianos. Resumindo, é possível fazer a coisa andar do jeito certo, mas é preciso ser esperto. Muito esperto. Eliminar a burguesia não é distribuir a renda. Fazer com que todos se tornem burgueses, sim. Ou vocês acham que ser socialista e dividir a riqueza do mundo significa deixar os ricos mais pobres? Não, é deixar os pobres mais ricos.

A matéria do Tariq Ali pode ser lida em:
http://port.pravda.ru/opinion/2004/09/01/5955.html

22 Janeiro 2006

Fechado para balanço

Eu ia escrever sobre a Bolívia, sobre o Evo Morales e sobre a esquerda na América Latina, mas não tô com saco pra isso. Já estava preparando um post sobre isso faz tempo... aliás, tem uns 10 posts inacabados aqui, preciso publicar, retomar o ritmo de antes.

Mas hoje o assunto é outro.

É realmente frustrante saber que teoria e prática não andam juntas, mesmo em situações ou com pessoas que conhecem muito bem como as duas podem ser extremamente prazerosas.

Durante os últimos meses, o Evertones sofreu alterações profundas na personalidade, aprendeu com os erros (seus e dos outros) e tentou ser o mais coerente possível com quem estava junto dele, quer sejam os amigos, a família ou a pessoa que está junto dele.

Acontece que a casa caiu, mano, o barraco desabou, a fila andou e eu fiquei pra trás.

Se eu tenho sido infantil no que se refere à minha personalidade, vou voltar a ter o coração de pedra que todos têm. Se é pra não acreditar mais em meia dúzia de coisas, dentre as quais nos posts que escrevo aqui (que alguns até ousam chamar de crônicas), vou fazê-lo. Não é possível que só eu esteja certo e o mundo errado.

A vida me deu um chacoalhão em 2005, passei um perrengue animal. Não vou agüentar passar pelas mesmas coisas em 2006, preciso me poupar. Temporariamente, vou tentar deixar de ser como sou pra ser um pouco como "deveria ser". Depois de um tempo, que eu estou chamando de FECHADO PARA BALANÇO, vou fazer alguma coisa meio no naipe do Hegel e separar o joio do trigo das duas situações.

Talvez eu esteja só na metade da pirâmide que já descrevi para alguns... é uma história que eu vou publicar aqui um dia.

Vou pedir mais conselhos. Vou ouvir mais conselhos, mesmo quando não os pedir. Vou voltar aos meus 16 ou 17 anos que eu ganho mais... daqui a pouco eu volto...

08 Novembro 2005

Anyway the wind blows

Aceitei o convite de Simone Dias para escrever sobre a temporada de furacões que estão estão passando pelos EUA.

Vou começar pelo seguinte ponto: não acredito que os ventos sejam um castigo imposto àquela nação. Furacões na América, tufões na Ásia, é assim que funciona desde que a força de Coriolis atua sobre a Terra (caraca, a Walkíria teria orgulho se souber que eu ainda lembro do nome do cara! rs). Quem quiser saber como isso rola, clique aqui.

Acredito que um povo que resolveu se enfiar numa área sujeita a tornados, furacões, ciclones, etc. e quis ficar ali já não é muito certo da cabeça... pra piorar, onde não tem ventos demais, a terra treme. Onde não treme e não venta, alaga. Onde não alaga, pega fogo. Se não pega fogo, não alaga, não venta e não treme, congela.

Puta que pariu, vai escolher um lugar maldito assim pra morar lá na casa do............ tio Sam, rs

Enfim, moram num lugarzinho ruim que é uma desgraça. Ainda inventam de construir casas de madeira. E elegem um presidente filho da puta e do puto. Me diz, qual é a chance d'eu ter dó do que acontece com aquela galera?

Sim, eu sei que foi uma tragédia. Vidas perdidas nos EUA não são menos importantes do que as que se perderam nas Guerras Mundiais... opa, aliás, essa é uma boa ligação...

O Katrina, o pior de todos os furações dessa temporada, era de categoria 5. Os ventos chegaram até a Louisiana (uma terra negra e musical como a nossa Bahia) atingindo a velocidade máxima de 233 km/h. Ele se moveu em direção ao continente a 25 km/h em média...

A bomba atômica de Hiroshima voou dentro do Enola Gay. Esse avião atingia 576 km/h. Se a bomba fosse lançada de um helicóptero (parado no ar), a velocidade da explosão seria de mais de 600 km/h. Bem, não sou nada bom em física, muito menos em química, que dirá em fissão nuclear e o cacete... só sei que mesmo que a gente somasse os números do exemplo de cima com o exemplo acima, precisaria juntar muitas vezes o primeiro pra chegar no segundo.

Para piorar, os ventos do Katrina só levaram cocô e todo o tipo de detrito e dejeto jogado pelos próprios americanos diques acima... a cidade foi inundada, não foi nem o vento que acabou com o que havia ali...

Os ventos que "sopraram" sobre Hiroshima levaram raios Alfa, Beta, Gama e neutron. "Só" os raios Gama e neutron atingiram a superfície e descascaram tudo o que havia pela frente, seja com o calor, com o impacto do vento ou com a radiação.

Em Nagasaki, a bomba era de plutônio, uma merda que só existe pra explodir. As duas bombas foram detonadas quando o Japão já havia se rendido.

Nem fui atrás dos números de quantas pessoas morreram nas explosões ou de quantas morreram no Katrina, como eu disse, tragédias são tragédias. Os números pouco importam quando elas acontecem. Principalmente quando elas acontecem com quem não não jogou plutônio ou qualquer outra coisa na cara de cidadãos.

Os ventos vão continuar a soprar e bufar nos EUA por muito tempo. Só quando o Coriolis fizer o Saara virar um lago e o nosso sertão virar mar de verdade é que as coisas vão mudar na terra onde o Bush dorme. Esse, por sua vez, não satisfeito, ainda vai trazer muitos sopros de morte a muitos inocentes e vai dormir com a consciência tranqüila. Talvez ele precise ouvir e aprender com Bohemian Rhapsody:
Nothing really matters to me,
Anyway the wind blows.


Os ventos continuam soprando querendo ou não, não adianta se preocupar. O máximo que você vai fazer é apressar o que já está programado.

Alguns dados saíram de:
Children Of The Manhattan Project
Um site japonês de pesquisas

UOL

03 Novembro 2005

Semdinheirolândia II

Na ÁFRICA, o comentário geral foi: "dinheiro, o que é isso mesmo? Ah, é aquilo que a gente deu embora faz uns 500 anos, né? Que diferença faz?".

Ao meio-dia, as fronteiras eram mais elásticas, pareciam mais áreas de influência, como deveria ser. Só Deus(es) ainda insistiam em afastar irmãos de sangue, já não era mais preciso brigar por riquezas. "Black is back", gritavam nas ruas da Namíbia e da Libéria.

EUROPA
Bom, todos sabemos que ela é uma velhinha que guardava grana no colchão, travesseiro, calcinha e onde mais fosse possível. Nesse dia, acordou trêmula, não entendia se ela desceu ou se o subiu; para os que moravam no interior dos grandes países ou no leste dos demais, seria mais fácil. Já os metropolitanos, cosmopolitas, etc. fizeram questão de anunciar a crise. Sim, já que qualquer coisa fora do controle deles é crise: a Merkel não quer dar, é crise, o Charles soca a bucha no Camillanhão, é crise... tudo é crise! Pensar em soluções previamente é mais difícil do que dar um nome a ela de CRISE.

Os franceses fizeram greve, é lógico... eles adoram isso. "Où est-il?", dizia um cartaz.
Na Alemanha, foram manifestações típicas: todos estavam em casa ao entardecer: "deutsches Geld zurück zu meiner Tasche", ou algo do tipo, (meu alemão é nulo) era o que gritavam.
Já na Inglaterra, a mais misturada (e por isso, mais interessante) das três, tudo soou como um dos atentados do IRA: ligaram a tv de manhã, viram que o mundo continuava girando, que a rainha não morreu e pronto. Sim, teve aquela putaria parecida com a australiana, mas a Scotland Yard e seus porretes estavam a postos, mesmo que de graça, mesmo que sem pounds, mesmo que sem poder pagar 4 dólares numa Coca! Ih, pronto, não existe mais Scotland Yard. Sem ela, o Exército (que fica olhando pra fora desde Napoleão), não deu conta do recado. Meia dúzia de recrutas não seguraram a barra da horda em fúria que invadia e pilhava Londres. "Oh, what an outrage", gritou uma bichona que trabalha em Buckingham.

(CONTINUA)